sábado, 27 de dezembro de 2008

Folhetim Político - Falta de Terra

Campanha sucessória presidencial de 1960. Em um avião Viscount, aparelho turbo-hélice, fretado da Vasp, a comitiva do candidato Jânio Quadros estava voando de Ribeirão Preto para Goiânia. O tempo começa a mudar sobre o Triângulo Mineiro e a aeronave enfrenta forte turbulência na divisa de Minas com Goiás.
Milton Campos, político mineiro, candidato a vice na chapa de Jânio, fica muito assustado e a palidez de seu rosto reflete seu medo e seu desconforto. A comissária se aproxima dele perguntando: “O senhor está sentindo falta de ar? “Não, minha filha, muito pelo contrário, estou sentindo é falta de terra”, respondeu.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Voto pela igualdade

Em um ensaio a cientista política Aspásia Camargo escreveu, em um trecho, o seguinte: “Precisamos reduzir as diferenças espaciais e sociais, organizar esta federação tão desigual em sua rede de infra-estrutura e em sua capacidade de produzir renda. Não haverá integração global que beneficie, por si mesma, recém-saída da casca do ovo, eis uma prioridade absoluta. Pode parecer utópico, mas vamos nos agarrar à meta da eqüidade, com investimentos maciços na educação para todos, no conhecimento e na ciência.”

De fato, as sombras da ignorância e a pobreza, em boa parte decorrentes da falta mesmo de instrução, são um desafio que só será vencido mediante corajosas reformas, a tributária, por exemplo, sendo usada como redistribuição de renda e com muita persistência na criação e execução de programas educacionais e de promoção humana, que satisfaçam as prerrogativas da cidadania. Isto implica no atendimento pleno aos direitos da cidadania, como o de aprender e poder ter acesso a todos os níveis de educação.

Câmaras Municipais precisam refazer a imagem

Por que é tão ruim a repercussão da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que aumenta em larga escala o número de vereadores em todo o País? O que explica o tom lamentável da opinião pública sobre a aprovação da proposta pelo Senado, tão festejada e comemorada pelos suplentes de vereador que lotavam as galerias do plenário?

Não se trata de uma espécie de gratuita antipatia. Acontece é que as próprias Câmaras Municipais, de modo geral e como regra, salvando-se as exceções de praxe, foram se encarregando de sujar a própria imagem. Com este desgaste, evidentemente que não poderiam elas ter a opinião pública favorável em questões como esta do aumento do número de vereadores, cerca de seis mil a mais em todo o País.

Deslizes recentes na Câmara Municipal de Goiânia, o vôo da alegria dos vereadores de Aparecida de Goiânia rumo às dunas e às praias de Natal, para ficarmos com apenas esses dois exemplos bem conhecidos do público goiano, são coisas que não podem contribuir para uma boa imagem.

Vai começar uma nova legislatura. Por que não se tomar a determinação de tentar reverter essa má imagem como alta prioridade das Câmaras Municipais no curso desse novo quatriênio?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Congresso Nacional pode ter 1º infiel cassado pelo TSE

O deputado Walter Brito Neto (PRB-PB) poderá se tornar nesta semana o primeiro deputado federal a perder o mandato por infidelidade partidária. O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou ontem que espera a notificação formal do Supremo Tribunal Federal (STF) para reunir cumprir a decisão.

O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, telefonou ontem a Chinaglia para informá-lo que o deputado perdeu o recurso no qual tentava se manter no mandato. Além disso, Mendes informou a Chinaglia que julgará um último recurso, do PRB, provavelmente amanhã, e que, só então enviará ofício comunicando a posição do STF.

O deputado Brito Neto perdeu o mandato por decisão do TSE em março, porque trocou o DEM pelo PRB em setembro de 2007, depois da data a partir da qual o TSE estabeleceu que os mandatos pertencem às legendas e não aos parlamentares.

O descumprimento de Chinaglia da notificação do TSE enviada à Câmara em setembro provocou atritos com o presidente do tribunal, Ayres Britto, que criticou a demora da Casa em declarar a perda do mandato.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

José Agripino Maia causa mal estar em Goiás

O governador Alcides Rodrigues (PP) mandou ontem uma resposta agressiva para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), que fez crítica indireta ao governo estadual em Goiânia na semana passada. “Eu não quero fazer nenhuma avaliação de uma pessoa que nada fez para Goiás. Vem aqui da forma mais desrespeitosa e gratuita, indigna de um senador da República, ofender a pessoa do governador e indiretamente o povo de Goiás”, afirmou o governador, demonstrando irritação com as declarações do democrata.
A resposta de Alcides é mais um ataque em direção ao PSDB, a quem o governador não tem poupado alfinetadas nas últimas entrevistas, deixando claros os sinais de afastamento. Explica-se: Agripino veio a Goiânia para prestigiar homenagem que o senador e ex-governador Marconi Perillo (PSDB) recebeu na Assembléia Legislativa, na última quinta-feira.
Quebrando o protocolo, o próprio Marconi sugeriu ao presidente da Casa e autor da proposta de homenagem ao tucano, Jardel Sebba (PSDB), que abrisse espaço para discurso de Agripino. O democrata, que falou em nome dos senadores presentes, fez elogios a Marconi e acabou atingindo o governo Alcides.
Ele contou que decidiu conhecer Pirenópolis há cerca de um ano e, lá, questionou um morador sobre o atual governo. “A resposta eu não preciso revelar aqui. Mas, então, perguntei sobre Marconi. E o rapaz respondeu: ‘Esse é o homem. No tempo de Marconi as coisas aconteciam em Goiás’”, contou. O democrata disse que Goiás tem duas histórias: uma antes e outra depois do governo tucano. Disse ainda que Marconi é “homem de compromisso e palavra”.
O clima foi de constrangimento na Assembléia no momento em que Agripino contou a história de Pirenópolis. Até integrantes da bancada tucana disseram ter sido um comentário desnecessário. No dia seguinte ao mal-estar, Marconi contou a interlocutores que enviou um bilhete durante o discurso de Agripino pedindo que ele poupasse o governo Alcides.
A reportagem do POPULAR, que acompanhou a sessão especial, não viu o senador escrevendo nem alguém entregando o recado ao democrata. Mas Agripino disse logo em seguida ser “amigo de Alcides”, para então defender a união PSDB-DEM nas eleições de 2010 em Goiás. “O Demóstenes (Torres) não veio, que é seu amigo (para Marconi), assim como sou amigo de Alcides, mas reafirma o desejo da cúpula de ver a união de tucanos e democratas aqui.”
O discurso de Agripino, o mais forte na sessão especial, recebeu críticas de pepistas, da oposição e do presidente estadual do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado. O líder do PMDB na Assembléia, José Nelto, disse que Agripino foi “deselegante e insensato”. Caiado afirmou que a cúpula nacional não deve interferir na política de Goiás.
Alcides rebateu Agripino na manhã de ontem, durante entrega de equipamentos para a Secretaria da Segurança Pública (leia mais na página 5). O governador disse que o setor é prioritário e voltou a prometer balanço sobre os dois primeiros anos de gestão.
EstremecimentoNos últimos 20 dias, a relação entre PSDB e governo, que já apresentava turbulências desde o início da gestão de Alcides, ficou ainda mais tensa. Os ataques mútuos referem-se a 2010, aos “esqueletos” que o governo afirma ter encontrado no Estado e à proposta de reduzir porcentual constitucional para a Universidade Estadual de Goiás.
No dia 26 de novembro, Alcides reclamou da pressão para se posicionar sobre 2010, apontando “vaidades”, em claro recado ao PSDB. No mesmo dia, falou ainda que a negociação Celg-BNDES não sai por conta de “esqueletos”.
A relação teve mais um abalo com a emenda da UEG. Os tucanos protestaram e ameaçaram votar contra. Em reação, Alcides convidou José Nelto para conversa reservada no Palácio das Esmeraldas. A intenção era buscar apoio do PMDB para deixar de ser refém da bancada tucana. Em três eventos, Alcides fez questão de destacar a boa relação com todos os partidos.
No dia 8, Marconi respondeu as críticas sobre as dificuldades financeiras do governo e prometeu “mostrar a verdade” na campanha de 2010.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Valeu a pena !

Quando Brasília estava em construção, inclusive o Palácio do Planalto, como se sabe, improvisou-se um local para o então presidente Juscelino Kubitschek pernoitar e despachar, quando ia visitar as obras. Construídas em madeira, essas instalações ganharam o nome de Catetinho, por causa do Catete, no Rio, que era então o palácio presidencial. O ex-governador Ary Valadão era prefeito da cidade de Anicuns e estava empenhado em construir uma usina para bem abastecer de energia elétrica a localidade. Faltavam recursos à Prefeitura para viabilizar a obra. Sabendo que Kubitschek iria estar em Brasília, Ary Valadão sentou-se ao volante de um jipe e se mandou para lá. Chegou já tarde da noite. Estacionou o jipe nas proximidades do Catetinho e dormiu no veículo. Conseguiu, mesmo sem agendá-la, uma audiência com o Presidente.
Valeu a pena a ousadia, pois obteve a ajuda federal que reinvidicou a JK e construiu a sonhada usina.

sábado, 6 de dezembro de 2008

FOLHETIM POLITICO - DESPREVENIDO

Campanha presidencial de 1955. O paulista Adhemar de Barros, fundador de um partido de linha populista, o PSP, é um dos quatro candidatos. Os outros, Juscelino Kubitschek, o vencedor, Juarez Távora e Plínio Salgado. A campanha levaria Adhemar de Barros a Goiânia, que então era uma cidade cerca de dez vezes menor do que hoje. Era um homem muito rico, mas como demonstra a regra, os ricos não costumam ser pessoas de mão aberta. Um eleitor conseguiu se aproximar dele depois do comício e tentou arrancar uma ajuda financeira, alegando que sua mulher estava à véspera de dar à luz e ele se encontrava desprevenido. Adhemar puxou os bolsos da calça e os mostrou ao eleitor, dando a seguinte resposta:

- Mas, meu amigo, se você que teve nove meses para se prevenir está desprevenido, como é que eu, que estou sabendo agora, poderia estar prevenido?