sábado, 21 de março de 2009

Político não deve aceitar bajulação

O jovem Winston Churchill lutou na segunda guerra dos Boêres, travada no sul da África entre 1898 e 2002. Tempos depois, investido no poderoso cargo de primeiro-ministro da Inglaterra, estava conversando com um grupo quando se aproximou um bajulador. “Pois é, senhor primeiro-ministro, o senhor já foi herói de guerra, não é? Como se sentia no meio da luta?” Percebendo a intenção de adular, Churchill respondeu: “Sentia uma vontade louca de sair correndo e fugir.”

Winston Churchill foi um estadista modelo e político exemplar. Por isto não se dava com os aduladores, como deveriam fazer todos os políticos. Aceitar bajulação é de algum modo assumir a embriaguez do poder. Menciono um outro exemplo. Um antigo e zeloso diplomata italiano havia retornado de uma conferência sobre armas químicas, em Genebra, e foi relatar sua missão a Benito Mussolini, que estava embriagado pelo poder. O diplomata foi recebido com certo desdém e notou que Mussolini estava rodeado de bajuladores. O ditador perguntou-lhe: “Qual a arma química que o senhor acha mais perigosa?” Resposta do diplomata: “Acho, senhor, que é o gás do incenso.”

Nem quando prefeito de Belo Horizonte, nem como governador de Minas e nem como presidente da República, Juscelino Kubitschek se deixou bajular. Era cordial, mas muito franco e exigente com os auxiliares. Tornou-se consensualmente reconhecido como o melhor de todos os presidentes do Brasil.

Muito diferentemente, para ficarmos com apenas um exemplo se contrapondo ao de JK, Fernando Collor rendia-se abertamente ao jogo dos bajuladores, entre eles um cuja má conduta contribuiu muito para afundar esse ex-presidente.

E não custa lembrar que a rainha Maria Antonieta, que se deslumbrava tanto com o poder e cultivava a bajulação, terminou seus dias com o pescoço na guilhotina.

Tempos bons, ingênuos tempos

Os norte-americanos não tinham motivo para se queixar da economia, como hoje se queixam, em 1955, 54 anos atrás. Pois havia oferta de um bom carro por apenas 2 mil dólares. Uma casa confortável a 12 mil dólares. Não havia o computador pessoal, escrevia-se com máquinas datilográficas. Uma Homes Rocket, tendo como novidade dispositivo para correções, custava 70 dólares. O preço de um televisor de 24 polegadas, cujo gabinete ficava apoiado no chão, com suas espécies de quarto pernas, tinha preço um pouquinho mais amargo: 230 dólares. Ou seja, apenas nove vezes mais barato do que um automóvel. A Westinghouse lançava um geladeira dotada de novidade: o depósito para sucos, com torneirinha. O ator Bruce Willys e a atriz Debra Winger eram bebês, o galão de gasolina custava 23 centavos de dólar, acabava de chegar ao mercado lentes inquebráveis de óculos, o disco de vinil de 12 polegadas, chamado de long play, custava em média 1 dólar e 80 centavos e era ouvido em eletrolas que também tinham quarto pernas.

Dinheiro limpo

Campanha eleitoral de 1958, em Goiânia. Em um comitê partidário que funcionava no Setor Leste Universitário, que na época ainda alguns chamavam de Bairro Botafogo, aparece um desses pseudo-cabos eleitorais que se aproveitam da ocasião para ganhar algum dinheiro, dizendo-se influente junto a eleitores de determinada região. José Benedito Pinheiro, ligado ao bairro e que era vereador, desconfia do sujeito. E resolve advertí-lo: “Olha, aqui não lidamos com dinheiro sujo não.” Resposta do suposto cabo eleitoral: “Pois eu quero é dinheiro limpinho mesmo. Não confio em cheque.”

sábado, 14 de março de 2009

A força emergente

A crise global exige do País produzir mais, exportar mais – e este apelo implica valorizar a face do Brasil novo, dos Estados emergentes. Ponto importante para a retomada do crescimento econômico será o apoio do governo às regiões e Estados de economia em desenvolvimento, de perspectivas promissoras, no sentido de que passem a crescer em ritmo sempre mais rápido do que a média, compensando assim a perda de ímpeto dos Estados que lideram há algum tempo a produção. É evidente, por exemplo, que São Paulo não poderá mais oferecer a mesma proporcionalmente contribuição de décadas atrás à meta de retomada do crescimento. E já Goiás, Paraná, Mato grosso e Mato Grosso do Sul, são Estados que podem ampliar muito a sua contribuição proporcional ao desenvolvimento do País.

Falta de integração

Entre os países da América Latina não existem de verdade fortes traços de integração e identificação, apesar de algumas iniciativas, como a realização de conferências de cúpula e formação de blocos econômicos. Décadas atrás, o jornalista francês Marcel Niedergang demonstrou, pelo jornal Le Monde, a inconsistência do espírito latino-americano. Mostrou, com dados concretos, que o suposto espaço homogêneo da América Latina é, na verdade, um mosaico de diversidade política, social, econômica e cultural. Escreveu que não se pode dizer que existe uma América Latina, pois são algo como 20 Américas Latinas.

Todos os países das três Américas lucrariam com a existência de um verdadeiro e sólido espírito panamericano, principalmente os mais carentes. É preciso que se dê os primeiros passos na busca dessa integração.

A volta da ilusão

A crise global, cujo epicentro são os Estados Unidos, está acelerando a volta de brasileiros que foram buscar melhor bem-estar e melhor renda lá. A corrente migratória Brasil-Estados Unidos começou e foi crescendo enquanto no plano interno do País crescia o desemprego e se desvalorizava o trabalho, com perda de poder aquisitivo e, principalmente, de aviltamento da remuneração. A dignidade do trabalho sendo submetida a um processo de deterioração.

Criou-se, assim, a ilusão americana, supondo-se que a dignidade de trabalho perdida poderia ser resgatada, ainda que à custa de suor e lágrimas, com dólares ganhos em ocupações, legais ou ilegais, nos Estados Unidos.

O Brasil tem uma dívida dos que se lançaram nesta aventura americana e dos que gostariam de ter se lançado: proporcionar-lhes o que lhes é de direito, como pressuposto da condição de cidadania, mercado de trabalho digno e a valorização da capacidade de empreender. Com um background educacional sólido, assegurando a todos a oportunidade de aprendizado em todos os níveis, como deve ser em uma democracia.

sábado, 7 de março de 2009

PDT - Lupi é reeleito presidente pela 3ª vez

Pela terceira vez, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi reeleito para a presidência do PDT, ontem. Ele comandará o partido pelos próximos dois anos. Para evitar atritos com a Comissão de Ética do Palácio do Planalto, Lupi avisou que continuará afastado da presidência do PDT, deixando o comando a cargo dos dois vice-presidentes eleitos: o deputado Vieira da Cunha e o ex-deputado Wagner Lago.

Carlos Lupi assumiu a presidência do PDT depois da morte de Leonel Brizola, em 2004. Desde então, comanda o partido com sucessivas reeleições no cargo. Em 2007, a Comissão de Ética do Palácio do Planalto recomendou a saída de Lupi da presidência ou do ministério. Na época, a Comissão alegou que não era possível Lupi exercer as duas funções ao mesmo tempo. O afastamento se deu em março de 2008.

terça-feira, 3 de março de 2009

Sem verba indenizatória, Legislativo ficará mais caro

Gastos com os deputados estaduais e vereadores de Goiânia podem ter impacto de R$ 5 milhões por ano caso Congresso aprove proposta

A proposta de acabar com a chamada verba indenizatória no Congresso Nacional – que atualmente é de R$ 15 mil mensais para cada um dos 594 deputados federais e senadores – e incorporar R$ 8 mil aos salários dos congressistas pode se tornar um prejuízo milionário para os cofres das Assembleias e Câmaras Municipais de todo o País. Isso porque a medida funciona, na prática, como aumento de salário no Legislativo Federal, o que gera efeito cascata nos subsídios de deputados estaduais e vereadores.

Em Goiás, deputados estaduais e vereadores de Goiânia vão custar quase R$ 5 milhões a mais por ano, com o efeito cascata gerado pelo aumento no Congresso (veja quadro). A vinculação é simples: o salário dos vereadores é fixado pela Constituição em 75% do que é pago para o deputado estadual, que por sua vez ganha 75% da remuneração de um deputado federal.

A incorporação de parte da verba de custeio aos salários dos parlamentares está sendo discutida pelas mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado. Segundo enquete realizada pelo jornal Folha de S.Paulo, 60% dos deputados são favoráveis à medida.

O senador goiano Demóstenes Torres (DEM) engrossa o grupo congressista pró-aumento de salário. “Promotor de Justiça e juiz, em início de carreira, ganham mais do que um senador. O salário é baixo, sim. É só comparar”, defende.

Na avaliação de Demóstenes, a medida é benéfica porque o parlamentar vai passar a pagar INSS e Imposto de Renda sobre mais R$ 8 mil. “Sobre a verba de custeio não incidem esses impostos”, afirma o senador, lembrando que o Congresso estuda também cortar o efeito cascata sobre Assembleias e Câmaras Municipais.

Legislativo caro
Se o Congresso aumentar a remuneração de seus parlamentares em R$ 8 mil, sem cortar a vinculação com as outras esferas do Legislativo, os deputados estaduais em Goiás vão passar a ganhar R$ 6 mil a mais por mês. Um salário caro demais para a população (R$ 18,3 mil) que não vê retorno desse dinheiro, na avaliação do deputado Daniel Goulart (PSDB).

“O deputado ganha bem. Ele custa muito caro para a sociedade e devolve muito pouco em serviços, dadas as prerrogativas que perdeu”, analisa Daniel.

Despesas
Deputados estaduais defendem que o fim da verba indenizatória não vai gerar economia para os Legislativos. “Isso é um aumento de salário indireto. Porque as despesas do parlamentar vão continuar sendo pagas pela Casa – seja na Assembleia ou no Congresso. Ninguém vai usar dinheiro do bolso para hospedagem ou combustível gastos nas atividades do parlamento. Em pouco tempo, estarão discutindo a recriação dessa verba”, pondera o petista Mauro Rubem.

“Tem de ter verba de custeio para gastos efetivamente realizados com o parlamento. Agora, se estão discutindo aumento de salário, eu sou contra”, afirma o também petista Luis Cesar Bueno.

Câmara
O presidente da Câmara de Goiânia, Francisco Júnior (PMDB), diz que o aumento no Congresso não gera efeito cascata no Legislativo municipal. “A lei não permite ao vereador aumentar seu próprio salário. Isso será feito no final dessa legislatura, com aumento para o próximo mandato. Vai demorar, mas acaba vindo o efeito”, explica.