segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma ameaça ao direito de votar

A opinião pública precisa se manifestar com muita veemência contra a ameaça de uma deformação no sistema eleitoral do País, a qual faz parte de uma articulação para votar mudanças nas normas eleitorais, por decisão que o Congresso tomaria até outubro próximo.

Pela proposta, o eleitor passa a votar numa sigla. Não mais no candidato. Os congressistas assumiriam a vaga segundo a votação obtida e a hierarquia previamente elaborada pelo partido ou pela coligação. Como não requer mudança constitucional – o voto continuaria proporcional –, dependerá de maioria simples para aprovação.

Isto iria tirar do eleitor a força de sua opção pelo candidato que julgar melhor e conveniências de partidos e mesmo de grupos é que iriam prevalecer. Na verdade, seria quase que suprimir o próprio direito de votar, pressuposto e prerrogativa da cidadania.

Enquanto surgem manobras como esta proposta, a profunda e sensata reforma política que o Congresso está devendo à sociedade continua sendo protelada. Uma reforma que efetivamente corrija vícios e pontos defeituosos do atual sistema político-eleitoral. Uma reforma que de fato seja aliada da ética.

Dois outros temas que precisam ser expurgados imediatamente: a proposta da possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Lula, pois o Brasil não é Venezuela e nem Bolívia; e a sugestão de prorrogação dos mandatos.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O povo anda de ônibus, eles de jato

É com o olhar desolado que vejo os ônibus especiais e confortáveis circulando vazios em Goiânia. Parece muito claro que os proprietários de veículos automotores se apegam ao individualismo e os pobres não se sentem capazes da prerrogativa do chamado citybus. Mencione-se, ainda, o fato de que a população de Goiânia está bem situada no ranking brasileiro de renda familiar.

Que tamanho é o contraste dessa exclusão da quase maioria das pessoas do acesso a transporte melhor com o que está sendo chamado de farra das passagens no Congresso.

Recuando no tempo, quando a capital da República trocou o Rio por Brasília, houve o consenso de que senadores e deputados federais teriam de ser contemplados com alguma ajuda extra para moradia e transporte. Isso se fez dentro de limites razoáveis. De alguns anos para cá, no entanto, o que podemos chamar de mordomias incluindo passagens aéreas, fretamento de jatinhos, locação de carros e combustíveis, ultrapassou todos os limites do sensato e do correto. Nas últimas semanas, a utilização absurdamente abusiva desses privilégios vem chocando a opinião pública. Nesta semana, por exemplo, soube-se que também ex-parlamentares, às centenas, continuam com direito de voar por conta do povo. Este povo que nem consegue sentar-se na poltrona de um transporte mais confortável.